Não estava nem um pouco animada com o final
deste ano e com o Natal. Em 2015, não vi minha filha, perdi minha avózinha
adotada, meu gato, e minha sogra enfrenta um câncer terrível. E agora, pra
piorar, não teremos neve.
Sei que é efêmero, mas todos adoram o floquinho branco que cai do céu e não sou exceção. Sem grandes projetos gastronômicos para ceia de
Natal, pois a mãe do Frank resolveu cozinhar, resolvi me arriscar
numa Gingerbread House, que é a coisa mais fofa do mundo e é relativamente
fácil de fazer, assar e decorar. Pesquisando em todo o mundo, ao invés de escolher
uma receita americana ( vamos combinar, eles sabem muito sobre confeitaria e já
vendem em toda esquina as casinhas
semiprontas com cola e tudo, ou moldes perfeitos de silicone), resolvi seguir a
receita de uma menina brasileira e importar um molde de papel. Seria como
aprender a fazer feijoada seguindo um site yankee. Claro que não deu certo; massa
mole demais, mesmo ficando horas na geladeira. Chequei a receita, todas as
medidas certas. Lutei muito pra recortar, tive que assar parede por parede e não deu tempo de colar
e decorar; e ficaram paredes, esquisitas, feias
mesmo , um desastre. A cola para as paredes também não funcionava. Frustrada,
quase desistindo, fui pra ceia.
Senti saudade da Oma(vovó em alemão) e não pude chorar. Lá
estavam a filha do Frank com a filhinha
dela de 6 anos e marido, além da minha sogra. A menina animadíssima com a
visita do bom velhinho, iluminava a cena. Certa hora sumiram com a menina num
quarto e colocaram um monte de caixas sob a palmeira; bem oportuno para os 16
graus de inverno alemão. Das duas uma, ou a menina é tida como
idiota ou o Papai Noel é o The Flash, porque resolveu tudo em 1 minuto e meio.
Tempos esquisitos em que criancas de até 9 anos acreditam em Papai Noel e têm Facebook,
tablet, celular. No decorrer da conversa levei várias pequenas broncas ao dizer
a palavra “comprou”, pois tudo deveria ser presente do bom(e chato) velhinho.
Pois bem, brincamos um pouco com a
pequena, que ganhou exatamente o que todas as meninas do mundo estão ganhando, peças de encaixar com
princesas e depois, finalmente, jogamos bola.
Voltávamos ainda cêdo pra casa, moramos à
menos de 1 km de distância, de carro,
ruas vazias quando um senhor de vestes vermelhas sozinho na calçada do meu lado
nos chamou a atenção. Ele acenou e abriu um sorriso largo. Eu e o Frank
começamos a gritar e rir como duas crianças. Era o
próprio! Sozinho, sem renas e com o saco ainda cheio, Estava se encaminhando
pra entrega provavelmente! Ainda bem que não estava sozinha.
O celular no fundo da bolsa, claro. Não deu tempo de registrar e talvez tenha
sido melhor assim, registramos para sempre, de onde não se perde. Mas não era um qualquer
era lindo, perfeito! Tipo da Disney ou da CocaCola!
No outro dia levantei cêdo, pesquisei uma
cola decente e fiz minha casinha.
PS: claro que não acredito em Papai
Noel, assim como não acreditava que
poderia fazer a casinha.
Feliz Natal pra todos!
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