A Hallownização do mundo
Um par de
pirralhos tocam a campainha, ia abrir e marido reclama: hoje não é dia destas
crianças pedirem doce, é só em Novembro
aqui na Alemanha. E apesar de estar com os armários cheios de doces, achar uma pena em não utilizar a ocasião para
livrar-me finalmente deles, dos doces claro, respeito, afinal ele vive aqui há
50 anos e eu só conhecia Cosme e Damião do Brasil, que já passou e nem
precisávamos escutar musiquinhas esquisitas de crianças desafinadas. Era tudo
organizado em democráticos saquinhos de
papel fechados que você só ia saber da
sua sorte quando chegasse em casa. Pois bem, não é que recebo a notícia que as crianças estão fazendo o mesmo no
Brasil, pedindo doces ou travessuras, ou dinheiro. Como? Que página do livro me
rasgaram? Que piada sem graça é esta? Totalmente fora do contexto, afinal o que
elas estão comemorando o ano novo Celta, o fim da colheita ou o início do
inverno? Brincar de dia de bruxas, colocar fantasias fora do carnaval tudo bem,
é uma brincadeira, típica de crianças e adultos mais animados, mas comemorar Halloween
no Brasil é um erro geográfico,
histórico, meteorológico e moral, agora que estão pedindo dinheirinho mesmo,
senão tiver doce. Que americanização infinita é esta, pais destas crianças, não só no Brasil, mas pelo
mundo à fora? Pelo menos aqui estamos
mais “próximos” dos celtas, é o fim da colheita e há a preparação para o meses escuros de inverno. Fica então só a folga das crianças( e dos pais) em se beneficiarem de duas datas
distintas para fazerem a mesma brincadeira. Achei que a influência da sociedade
americana fosse diminuir com a globalização, mas não contava com a astúcia de
Hollywood. E não me admiro mais se ver fotos de esquimós fantasiados de baianas zumbis ou crianças pataxós mendigando
chicletes ano que vem...
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